A arte da vida

Um dia destes estava conversando com um artista plástico pelo qual tenho
grande admiração. Ele falava a respeito do “olhar” de uma pessoa comum ser
bem diferente daquele do artista. Sendo ele um grande pintor falava a
respeito de um quadro imaginário. A observação de detalhes em uma paisagem,
como nuances de cores, o que está em primeiro plano, a luz, as imagens
secundárias, o ponto de fuga, emfim eram tantas informações que nem mesmo
consegui recordar todas para poder descrever. Até os aromas, o vento, tudo
contribui para a percepção do momento. O belo pode ser captado por poucos
privilegiados, enquanto que para a maioria determinadas imagens nada
significam. Ele chegou a comentar a respeito de um fato ocorrido e que
ilustra seu comentário: Certa vez falou para um vizinho que tinha a sua
porta um flamboyant lindo e que ao perder suas flores estendia um “tapete”
vermelho na entrada de sua casa, uma maravilha que a natureza lhe
presenteava, para surpresa a resposta do outro foi: Nunca havia prestado
atenção!
Assim é tudo na vida. Ao longo de nossa passagem por este planeta, pintamos
com traços próprios o quadro das experiências e sentimentos vivenciados,
que nos deixam marcas e que marcam os que nos cercam. As cores que usamos
para isto podem ser intensas, brilhantes, iluminadas ou escuras,
acinzentadas. As pinceladas podem ser com definição e muita nitidez ou
turvas e desfocadas e desta forma vamos aos poucos criando a “obra” de
nossas vidas. Chegamos então a um ponto em que devemos ter nos
aperfeiçoado, os traços atuais devem ser mais elaborados, feitos com
sutileza embora firmes e precisos, o esforço deve ser menor para
alcançarmos o efeito desejado. Se comparados os primeiros movimentos
realizados há tanto tempo, nos surpreenderemos com a diferença.
Bem, assim as coisas deveriam ocorrer para todos.
Ao longo da vida ao tecermos nossa obra podemos criar um resultado final
melhor, o futuro sempre poderá ser reescrito.
Costumo ficar atento as pessoas que a cada final de semana se doam de
corpo, alma e coração para tornar a seresta e a serenata de Conservatória
um quadro que permanecerá inacabado indefinidamente. Cada apaixonado que
empresta um pouquinho de seu talento e sua sensibilidade acrescenta um novo
detalhe que agrega valor.
É impressionante como até mesmo os que admiram este movimento, nem sempre o
compreendem com profundidade.
Já ouvi várias vezes de veranistas com casas na cidade e de moradores que
preferem não ter participação ativa porque não querem compromisso. Quem diz
isto é como aquele caso do flamboyant, citação feita anteriormente, não
conseguem ver satisfação e sim obrigação na oportunidade que está à sua
frente. Perdem momentos de rara beleza e prazer que se renovam a cada
semana, perdem a chance de se enriquecerem bebendo da emoção que se
transborda de corações e olhos marejados, deixam de dividir experiências e
recordações. E o pior de tudo, abrem mão de apoiar aquilo de que dizem
gostar. E assim não frequentam a serenata, o coral da cidade, a solarata e
por aí em diante.
Não estou condenando a opção de ninguém, só quero lembrar a célebre frase
contida no livro: O pequeno príncipe de Antoine de Saint Exupérry _”Tu te
tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”. É ótimo quando
compromisso e prazer caminham juntos!
Roberto Velasque.

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