A emoção de uma serenata

Quando estou no Rio de Janeiro, muitas vezes durante uma conversa, e sabendo de minha paixão por este lugar, alguém me pergunta: Como é a serenata de Conservatória? Na verdade nem perco tempo tentando contar, apenas digo que uma experiência, seja ela qual for, não pode ser explicada, tem que ser vivida.

Mais um exemplo disto ocorreu neste final de semana. É comum nossos visitantes se emocionarem em vários momentos durante um roteiro, que faz recordar a vida e o romantismo de um passado que acredito trazermos em nossos genes, pois nem tudo que representamos ali tivemos a oportunidade de viver, ativa ou passivamente.

Caminhávamos pelas ruas, já na madrugada de sábado para domingo, cantando, declamando e aproveitando cada detalhe que se apresentava para tornar aqueles momentos ainda mais marcantes e significativos, de uma simples luz acesa por trás de uma veneziana, onde alguém nos ouvia até uma mulher que abria a janela para com este pequeno gesto contemplativo representar a amada de outrora. Também havia casais acolhidos por braços carinhosos, seguindo lado a lado conosco. Tudo isto sob um frio que beirava 8 ou 9 graus, uma névoa que deixava a lua ainda mais misteriosa e os postes com aqueles faixos de luz como em filmes de suspense. Cada canção que íamos entoando mexia com nossos sentidos, em alguns momentos eu particularmente chego a sentir o cheiro da casa de meus avós, em outros a presença de amigos de infância ou ainda vêm à minha mente lugares que passei, não sei se nesta vida ou em outras.

Como disse antes, é comum vermos a emoção naqueles que nos visitam, mas desta vez esta mesma emoção a que já nos acostumamos foi tanta que choramos todos nós. Pessoas vindas de Brasília, por exemplo, especialmente para conhecer aquilo de que ouviram falar, se diziam amplamente recompensadas, e faziam questão de agradecer aqueles momentos como se nós também não estivéssemos sendo recompensados pela troca de tão boas energias. Falavam que nunca tinham experimentado tanta harmonia e sutileza. Existia ali, ainda nas palavras deles, uma perfeita comunhão entre o bem querer, a poesia, a saudade. Tudo era encantamento.

Ficamos extasiados e certos de que o grande valor foi ter acontecido em uma noite em que vários seresteiros de uma nova geração estavam na cidade, o que reforça a certeza de que a serenata de Conservatória está viva, forte e com futuro garantido.

Roberto Velasque

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