Hartung discute estiagem com Temer e faz pressão para segurar importação do café conilon

Temer HartungO governador Paulo Hartung (PMDB) se reuniu na manhã desta quinta-feira (12), em Brasília, com o presidente Michel Temer (PMDB). O encontro foi o primeiro após o governador capixaba dar declarações polêmicas à imprensa sobre as ações do governo federal, sobretudo na área econômica, e de ter especulado a possibilidade de deixar o PMDB, se dizendo insatisfeito com o partido.

Para o mercado político, o encontro teve conteúdo político, mas a pauta oficial da reunião é a inclusão do Espírito Santo no repasse de recursos para o combate à seca. Na semana passada, parlamentares da bancada capixaba pediram ao presidente Temer a inclusão do Espírito Santo no programa destinado exclusivamente aos estados no Nordeste. Os deputados justificaram que o Estado sofre com a estiagem há quase quatro anos e precisa receber investimentos para mitigar os efeitos da crise hídrica.

O que intrigou a classe política é que Hartung vai a Brasília após o assunto ser superado pelos congressistas capixabas e em meio a uma avalanche de especulações políticas, somadas à crescente visibilidade do governador capixaba em nível nacional. Se para parte da classe política o assunto  de fundo foi o PMDB, para outra parte, a necessidade de o governador apresentar resultados em sua terceira gestão e a instabilidade em relação ao equilíbrio das contas do Estado, que sustenta seu discurso, o governador teria ido tentar buscar recurso. Com pastas de projetos embaixo do braço para atrair recursos para o Estado.

Ao saber da ida do governador a Brasília, o deputado federal Evair de Melo (PV) conseguiu incluir um ponto importante na pauta. Após o pré-anúncio do levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) dos estoques de café, o deputado apresentou ao governador os números reais dos estoques de conilon que seriam suficientes para evitar a importação do café. Segundo Evair, Conab está trabalhando com um número equivocado, entre 1,5 e 1,7 milhão de sacas. “Contestamos esse número porque temos cerca de 3.7 milhões, podendo chegar até 4,2 milhões de sacas, só no ES. Sem contar 500 mil do Sul da Bahia e mais 200 mil de Rondônia”contabilizou o deputado, que garantiu que o governo apresentou a pauta ao presidente Temer.

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