Momentos inesquecíveis, pessoas incomparáveis

 

 

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Dia desses um professor de história da UGB de Volta Redonda, me perguntou se eu poderia falar para sua turma de graduandos sobre o movimento seresteiro de Conservatória, sua origem, seus dogmas e ainda o encantamento provocado nos turistas e a consequente influência deste movimento na economia e cultura local.
Pedi então a colaboração de mais alguns seresteiros, para que juntos pudéssemos ilustrar todo este conteúdo com canções e poesias que fazem parte do roteiro das serenatas.
Comecei então por dizer da diferença entre seresta e serenata, a origem desta última que vem da idade média na Europa e que chegou ao Brasil através de seus colonizadores. Os cantores do sereno, como no início eram chamados os atuais seresteiros, os costumes que norteavam o flerte com a mulher amada naqueles tempos etc… E assim fui contando detalhes e curiosidades até chegarmos aos dias atuais onde a serenata se tornou um espetáculo feito por amantes da música romântica brasileira e adoradores de uma época em que os compositores usavam de um vocabulário rebuscado, em que havia a preocupação com a beleza e a singularidade de cada verso construído. As poesias, adaptadas muitas vezes, servem de link para a próxima canção ou simplesmente para homenagear alguém que veio até nós para comemorar uma data especial, aniversário, bodas, ou apenas “beber desta fonte”  de amor e leveza que é a proposta do grupo, ou seja fazer de quem nos visita uma pessoa melhor ao regressar para sua cidade de origem.
Os universitários reunidos na Casa da Cultura naquela tarde assistiam a tudo e eram estimulados a participar nas canções que íamos escolhendo durante nosso encontro, até que próximo ao fim de nossa conversa, notei que vários estavam emocionados e começaram a pedir que cantássemos algumas canções que lhes traziam grande recordação.
Quando ia finalmente dar por terminado aquele encontro, lembrei de uma frase do saudoso escritor Fernando Sabino que caia perfeita naquela ocasião: _” O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.”
Fui sincero ao resumir aquela tarde nas palavras do grande romancista, e recebemos eu e os demais seresteiros presentes, palavras, gestos e abraços cheios de emoção.
Resolvemos então fazer uma grande roda e de mãos dadas cantamos “Carinhoso”, de Pixinguinha e João de Barro.
A fidalguia, a elegância e a cordialidade, imprescindíveis para quem resolve abraçar a bandeira deste movimento, que se orgulha de ter 138 anos de tradição, encontravam-se presentes naqueles jovens que por certo jamais esquecerão do que vivenciamos naquela hora e meia em que estivemos juntos.
desejo apenas que cada um deles irradiem por onde passarem a luz da gentileza, do amor e da esperança, e quem sabe no futuro alguns estejam cantando conosco nas madrugadas frias de nossas ruas sonoras.
Roberto Velasque.

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