Somos mais bonitos agora

Estava ainda outro dia assistindo a um documentário na TV sobre chico Buarque, e sua “alma feminina”, com dezenas de composições e as musas que o interpretam.
O programa realmente maravilhoso, bom gosto, qualidade em seu roteiro e edição, tudo acontecia sem que eu pudesse tirar os olhos da tela. De repente percebo o extraordinário, aquilo que fala mais alto de tudo, o detalhe que ficará marcado e que mais me emocionou entre tantas emoções já sentidas, dentro daquelas canções que marcaram nossas histórias. Maria Bethania intérprete de longa jornada, tão reverenciada pela crítica e que saboreia o sucesso há décadas, começa a falar de um de seus maiores sucessos de autoria do Chico e nesse instante é como se o tempo parasse ao redor, seu rosto se ilumina, seus olhos brilham e ela deixa escapar uma lágrima. Ali não era a emoção da cantora, da artista Maria Bethania ícone da MPB, era a emoção da mulher, da criatura que mesmo acostumada a grandes plateias e a provocar no público a emoção que experimentava, se rendia a um momento específico de sua vida.
Terminado o programa começo a refletir sobre o que é mais bonito? A emoção na juventude ou na maturidade? Tenho uma opinião que por certo nem todos concordarão. Arrisco a dizer que na maturidade somos mais bonitos. Se não dispomos mais da beleza física de outros tempos, nem temos mais tanta “estrada” assim pela frente, somos capazes de iluminar com nosso sentimento demonstrado de maneira autêntica, e podemos explicitar que a vida tem que ser vivida com intensidade em toda a sua trajetória. A consciência do que ficou, o gozo do presente e a esperança no futuro.
Se deixar tomar por uma emoção, depois de experimentar adversidades, dores, temores infundados ou não, perdas irreparáveis mas que são inevitáveis e ainda assim manter a capacidade de amar e crer que coisas boas acontecerão é fundamental, é a magia da vida!
Até concordo com o Vinícius de Moraes quando ele dizia: “As muito feias que me desculpem, mas beleza e fundamental”. Sabe quem é feio? Quem não carrega consigo a emoção da experiência, que se sabendo maduro pode iluminar tudo à sua volta com uma simples lembrança. Viva a beleza!
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